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  • Vinicius Brandão

Nova sessão no Sneaker Cult, I Love Talks - Por que colecionar tênis?


Como contamos aqui, esse espaço é dedicado a postagens com assuntos sobre a cultura sneaker procurando criar um debate saudável envolvendo a visão de cada um na cena sneakerhead. Os conteúdos serão publicados no grupo I Love Sneakers do Facebook, grupo hoje que concentra o maior encontro virtual dos colecionadores, então sem mais delongas, vamos começar!

Para quem se considera sneakerhead, talvez esta pergunta seja frequente quando alguém fora da “cena” fica surpreso por você possuir mais pares do que realmente “precisa”. Se disser que coleciona tênis então, o espanto é maior ainda.

O ato de colecionar em si já é algo fora do padrão comum de uma pessoa. Por que colecionar uma “coisa” sem ter algum propósito final? Quando esta pergunta é relacionada ao objeto tênis, amigos, família, colegas de trabalho, esposas e namoradas, enfim, pessoas fora da comunidade, demoram a entender (ou simplesmente não conseguem) a razão pela qual você dedica seu tempo e dinheiro a algo aparentemente banal.

Sempre que sou questionado por esse assunto, digo que não sei a resposta ao certo. Seria fácil encontrar uma réplica pronta e agradável aos olhos dos curiosos, mas a relação é sentimental e inconsciente demais para uma frase pronta.

A verdade é que todos nós temos alguma ligação com o objeto. E adianto: Qual seja o seu motivo para tal, se for verdadeiro, válido é! Querer estabelecer um padrão para colecionar ou simplesmente gostar de tênis é apenas perda de tempo.

A minha primeira lembrança viva sobre gostar de tênis veio apenas no início da adolescência. Parte de quem cresceu no Brasil nos anos 90, sabe bem o que foi a febre New Balance. Não sei bem ao certo como começou, na época com 13 ou 14 anos, fui totalmente influenciado pelo meu irmão mais velho, que assim como o restante da galera, tinha no pé um modelo da marca. A combinação do outfit era composta por boné e polo da Ralph Lauren, calça Levi´s 501 e algum par da marca, como 999, 1500, 1700 e, principalmente, o icônico 1600 e seu inconfundível modelo de couro.

Lembro bem que, em época de vacas bem magras, nossa mãe não podia comprar o tão sonhado 1600, ainda mais para 2 filhos. A solução caseira foi ganhar o clássico 574 e meu irmão o 999, ambos usado com muito gosto. Depois, com o lançamento da série ouro do modelo, conseguimos comprar em conjunto um par usado, de um amigo. A condição dele era lastimável (na época era moda pintar a toexbox com a bandeira americana), mas mesmo assim a experiência foi incrível!

Quase que de forma simultânea, veio a febre do Adidas Gazelle, primeiro na clássica colorway azul, para depois o polêmico Hemp. Ah, como me lembro de ter curtido o tênis, principalmente pelo uso do material (fibra de cânhamo). Então um pré-adolescente, aquilo era algo muito radical na minha pequena visão de mundo.

Depois, o gostar de tênis continuou de forma ainda inconsciente. Veio a Copa do Mundo de 2002 no Japão e a imagem em campo do Felipão e sua comissão técnica usando o Nike Air Max 95 Neon, hoje chamado de OG. Aqui, então com 17 anos, foi a primeira lembrança de literalmente caçar o tênis por lojas de São Paulo. Em tempos de pré-internet, saber sobre o modelo era coisa quase impossível.

Por anos fiquei com ele na cabeça, saia simplesmente perguntando por ele nas lojas, sem ter noção de como era a questão do calendário de lançamento, reedições e por aí vai. Cheguei a importar pela Amazon, mas comprei no size maior, fui tributado, enfim, tudo errado.

No início da faculdade, outro Air Max: A versão 2003, com a cápsula air transparente por quase todo modelo. A versão branca com swoosh azul foi companheira por quase todo o curso.

Ainda vieram alguns pares do Nike SB Paul Rodriguez IV e V, mas a partir de 2013, quando comecei a planejar uma viagem para o Tio Sam e pensar o que poderia comprar, na lista estava, claro, alguns pares. Então a partir de pesquisas e mais pesquisas, boom! Descobri esse tal universo sneakerhead e imediatamente me identifiquei com toda a cultura que envolve. Melhor, quando descobri que todas aquelas informações e movimentos gringos também rolavam por aqui (Sneakersbr Team, que iniciou o conteúdo no Brasil), fiquei louco!

Tirando a fase inicial – e maluca – de querer comprar todo lançamento e tipo de tênis, o que é perfeitamente normal quando ainda não conhece o seu gosto por completo, o gosto pessoal foi naturalmente se moldando. Primeiro, a certeza dos modelos runners. Então veio à tona memória afetiva da New Balance; a revolução Boost ou a volta do tão sonhado shape do Air Max 1.

Outro fator decisivo para abraçar a cultura foi realmente conhecer quem eram as pessoas que estavam por trás do objeto. Afinal, encontrar alguém que divide a mesma paixão e loucura que a sua é realmente algo muito bacana.

Festiva I Love Sneakers 12/20016 – Foto @brunomedino

Também posso dizer que amo ver a nostalgia de algum relançamento que marcou uma época passada atrair o interesse da garotada nova. Ainda, posso embarcar em uma narrativa contada por algum desing como Ronnie Fieg (Kith) ou Hirofumi Kojima (Atmos) em seus projetos, bem como respeitar algum fator histórico em um par de Air Jordan.

As possibilidades de gostar de tênis são infinitas e vão além do seu valor material. No final, cada elemento dessa cultura sneakerhead é o que faz pessoas com histórias tão diferentes se unirem sob o mesmo interesse.

E você, o que te faz respirar e viver esse universo? Conta aí a sua história!

Autoria do texto: Vinicius Brandão (@vi.brandao).

#ilovesneakers #snkcult

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